sexta-feira, 26 de julho de 2013

O que aconteceu com a literatura brasileira?







Gostaria de perguntar hoje o que aconteceu com a literatura brasileira.
“Como assim, Tamandaré?”, alguém me pergunta
O que eu quero dizer é: Cadê a literatura relevante?

Como assim relevante, você pergunta?
Mais ou menos assim, ô:

Não me considero um guru da literatura luso-brasileira, leitor mestre dela, longe disso, nem terminei de ler Macunaima ainda e nem comecei a ler os Lusiadas porque é tão bom que me parece acima do meu nível, tipo aquelas áreas de mapa em jogos de RPG que você é gentilmente dissuadido de entrar depois que seu personagem/grupo de cabocos bobões e mal-armados é massacrado por monstros ou málacos de metralhadora e lança-foguetes. (a mensagem é simples: Você ainda é bostão demais pra entrar aqui, vá inclinar e ganhar uns níveis)

Mas já li alguns clássicos, como O Alienista, Contos Amazônicos de Inglês de Souza (“A Quadrilha de Jacó Pataxó” é um clássico que mostra exatamente porque Revoluções são perigosas, eu deveria um dia fazer um comentário sobre esse livro), Os Sertões, etc.

Essas obras são, bem, geniais e relevantes, por exemplo, O Alienista é uma incrível porrada na cara do Cientificismo que acredita que tudo e todas as coisas podem ser solucionadas com a ciência, e também é um incrível tapa na cara desses psicólogos/psiquiatras que hoje em dia dão o nome de doença para praticamente qualquer comportamento humano imaginável. O Dr. Bacamarte ainda vive em alma.

E hoje em dia? Qual foi o ultimo livro da literatura brasileira que fez as pessoas pararem e pensarem? Discutirem em mesa de bar? Influênciar a cultura brasileira? Os Sertões? Qual foi o ultimo livro brasileiro relevante?* E depois, mais nada?

Já vi desculpazinha que é culpa da ditadura, mas isso é balela. Escreveram muita coisa genial vivendo em ditaduras e situações adversas. Democracias são boas nesse quesito porque você não tem que se preocupar em evitar tocar um assunto do jeito que o governo não goste e assim terminar sendo censurado/exilado/executado, mas muitos escritores souberam contornar isso em ditaduras e monarquias absolutistas que faziam o Brasil de 64-85 parecer a terra da liberdade.**

Já vi também falarem que é porque brasileiro é tudo um bando de inculto e ignorante. Pode até ser, mas Machado de Assis escreveu numa época onde, tenho certeza, a grande maioria dos brasileiros eram incultos e ignorantes, até porque grande parte deles eram camponeses analfabetos. Alias, quase tudo que foi escrito na história foi escrito em épocas onde os escritores viviam em países cheios de incultos e analfabetos. E dai?

Acho que o argumento mais plausível que já escutei foi o seguinte: Essencialmente, o Brasil teve uma alfabetização universal muito tardia. No inicio do século 20, quase todos os países da Europa, EUA, Canadá e Japão (os centros culturais do mundo atual, sorry India, Turquia e China, vocês ainda estão na periferia da periferia) já estavam quase universalmente alfabetizados. O Brasil (e a maior parte da América Latina) só chegou à uma taxa de alfabetização quase universal nos Anos 70-80, um século de atraso.

O que isso quer dizer? Isso quer dizer que quando a alfabetização em massa aconteceu, os livros e revistas se tornaram parte da cultura em massa dos países que se alfabetizaram mais cedo. Quando Rádio, TV e Internet chegaram, eles não desviaram a atenção total das massas, e ler um livro continuou a ser um modo de obter conhecimento culto, elevado e interessante. De fato, nesses países, muitos profetizaram que o Rádio/TV/Internet fariam as pessoas ficarem burras porque ninguém mais iria querer ler, só ficar ouvindo/vendo/navegando na internet. Sabemos que esse não foi o caso, ao menos não totalmente.

Aqui, por outro lado, saltamos direto da ignorância para a cultura em massa do rádio e da TV. Só que o rádio é muito dependente de coisas como sinal e quetais, e você só tem uma mensagem levada por áudio. Na TV, você tem som e imagem. Na época do rádio (tipo, Anos 30 até 50), a maioria dos brasileiros eram analfas e semi-analfas que vivam no campo. Na época da TV no Brasil (Anos 70 até meados de 2000), eramos em maioria semi-analfas saidos do campo em busca de trabalho nas cidades, ou pessoas já urbanas com pouca educação. Dai veio a internet, com qual tive experiência pessoal:

Eu sou um cara bem novo, tenho 22 anos, nasci um pouco antes do Sr. Gorbachev “derrubar aquele muro”. Mas sou velho o bastante para lembrar a era da proto-internet. Não que a internet de antes fosse um protótipo, é que ela era lenta e cara mesmo. Eu comecei a entrar na internet quando passei à morar com parentes do meu pai, comecei a aprender em 2001-2002. Era a Era da Discada, do Modem 56K. A internet era melhor e pior ao mesmo tempo: O lado bom é que era um local mais elitista, quem entrava na internet geralmente tinha algo bom a dizer. O lado ruim é que a conexão era uma merda, velocidade máxima era 6k por segundo. Entravamos depois da meia-noite e nos finais de semana pra economizar, era muito caro em outros horários.

Internet só começou a se tornar popular no Brasil lá por 2007-2008: Antes, era coisa de classe média mesmo. Aqui em casa tivemos nossa primeira banda-larga em 2005-2006. Nem tenho atualmente, era uma época em que a economia do país estava boa. Mesmo naquela época não era coisa de pobre não. Alias, até hoje internet é caro: Internet mais barata que eu conheço aqui no Pará é uns 60 reais (Internet + Telefone), isso é o que, 1/9 ou um 1/10 de um salário minimo?

Hoje em dia a molecada não quer nem saber de TV, ainda bem! Eu ODIAVA e sempre odiarei a TV. Nunca gostei da Televisão (satelite, claro, Cabo na época era coisa de rico, alias ainda considero coisa de rico), sempre me parece um veiculo de comunicação de merda, só chatice à maior parte do tempo. Pra mim TV só servia pra ver filmes, seriados, futebol e noticias. Hoje em dia nem pra isso serve: Filme e seriado você compra no piratex ou baixa. Noticias e futebol até vão, isso é, até você perceber que a impressa MENTE (pra caralho!) e que não vão sempre passar o jogo do seu time (especialmente quando seu time não é um dos grandes do eixo Rio-São Paulo).

Fim de jogo: Ninguém mais quer saber de livros, todo mundo hoje em dia só quer ficar na internet falando no feicibuqui e no iscáipi. Ok, isso é generalização, mas a ideia é essa. Não é que ninguém quer saber, é que os livros não influem mais na cultura brasileira. Livro continua sendo coisa da elite, só que duma elite intelectual: O meio universitário. Quantas vezes vocês perguntaram pra uma pessoa “E ai, lendo algum livro legal?” Eu já perguntei isso pra várias pessoas esse ano. Todas as minhas respostas foram “Não” ou “Que nada mano, to lendo matéria de <Insira Nome de Matéria do Ensino Médio/Superior aqui>.” Que bosta! Eu quero conversar sobre livros! Cultura!***

A outra possibilidade é que sim, EXISTE uma rica produção literária brasileira, só que eu não estou vendo. Aqui necessito de pesquisa própria e alheia para descobrir se estou errado ou certo.

* Um dia desses quero tocar num assunto relacionado: O Que Aconteceu com o Rock Brasileiro? Também noto uma séria ausência do gênero. Sou um grande fã do rock brasileiro do Fim dos 80 e Inicio dos 90. Legião Urbana, Titãs, Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii, Plebe Rude, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Barão Vermelho, Ira!, etc. Deixarei isso para outro dia.

**Data incorreta, pra dizer a verdade. O golpe (ou contra-revolução, dependendo da sua tendência politica) foi em 1964, mas a ditadura pra valer só começou depois, se não me engano em 1968. Ninguém esperava que duraria vinte anos, todos estavam se preparando para o retorno das eleições. Deixarei para debater isso num post futuro desse blog, onde quero tocar no assunto com detalhe. Favor não desviar a discussão aqui, obrigado.

*** Sou só eu o único universitário que as vezes se sente incomodado pela matéria da universidade atrapalhar minhas leituras não estudantis? ÉGUA!. Ler um livro de Direito Penal comentado pode até me ajudar a entender minha matéria, mas não vai me dar Cultura, do tipo transcendente. É como ler um manual de programação, ou um livro de matemática: É pra você entender, não é pra você apreciar e gostar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário