O Rock Brasileiro morreu?
Voltou pra que, tocar axé e pagode?
Quase todos os brasileiros que nasceram entre 1980 e 2000 e gostam de rock, conhecem e adoram o rock brasileiro do período entre o fim da ditadura e o inicio dos anos 90.
O rock não é exatamente novo no Brasil, mas foi nessa época onde, ao meu ver, ele ganhou um tom brasileiro próprio e popular com variedade suficiente para todos os gostos. Não era mais apenas "musica dos gringos", tornou-se parte do repertório musical e cultural do país.
O gênero, pelo que me parece, tende a crescer em épocas de contracultura, onde a nação está em dúvida e desesperançada, se perguntando "Pra onde vamos agora?" O rock nasceu nos anos 50 (uma época bem quadrada e caretona, como diriam alguns. Beatniks discordariam), mas foi nos Anos 60 e 70, época do Vietnám, Contracultura, revoltas de paris em 64, movimento punk, hippies (MALDITOS HIPPIES!) etc, que o gênero decolou pelo ocidente todo, incluindo aqui.
O rock brasileiro da época começou com o fim da ditadura militar, na época que hoje chamamos de "Década Perdida" (porque passamos uma década estagnados e sendo massacrados por uma inflação galopante). Era uma época de grande contestação, onde as pessoas queriam o fim da ditadura (que já tinha passado do prazo de validade), a econômica estava indo pro buraco, o governo "democrático" ainda estava muito instavel e a juventude das cidades se sentia capaz de mudar a situação por meio do seu brado. Era a época das Diretas Já, do "Fora Collor", da Constituição de 88, morte do Tancredo Neves, Thatcher, Reagan, General Figueredo, José Sarney etc.
Não é coincidência quase todas as bandas brasileiras da época incluírem músicas politizadas. Era uma época politizada pra caralho. Tem gente que não gosta, mas não vejo nada errado em música politizada, conquanto que não tome o CD ou vire militância em áudio.
Já escutei ou li em algum lugar que o rock brasileiro da época nasceu em Brasilia*, pois a capital era (e até hoje é, pelo que me falaram algumas pessoas) um lugar chato sem nada pra fazer. Como os jovens da classe média não tinham nada pra fazer, eles aprendiam a tocar instrumentos, caiam nas graças de alguma gravadora e, no caso de gente como Legião Urbana, o resto era rock bom e discos vendidos.
Não posso dizer que sei porque morreu, porque quando comecei a gostar de rock (lá pelo meus 10, 11 anos, inicio dos 2000), o cadáver já estava enterrado. Quem viveu naquela época foram meu irmão e minha prima mais velha, eu cheguei depois.
Eu diria que a pessoal numero 1 para nos dizer o que aconteceu seria, se pudéssemos interroga-lo agora neste blog, Lobão, que alias, foi uma ausência presente no filme do Cazuza alguns anos atrás, como um fantasma que todo mundo sabe que está lá mas ninguém ousa dizer o nome senão ele aparece.**
Quando e como aconteceu parece estar em disputa, mas pelo que eu sei foi algo mais ou menos assim:
1. Renato e Cazuza morrem. Fim do Legião e do Barão Vermelho. É o fim das duas bandas principais do rock brasileiro. Matou o espírito, o resto começa a definhar.
2. As outras bandas menores (Titãs, Capital Inicial, Charlie Brown .Jr, Ultraje a Rigor, Engenheiros do Hawaii, Plebe Rude, Ira!, etc) tentam manter a chama viva, falham, até porque todos já tinham passado do auge e nenhuma dessas bandas ultrapassou o nível de Legião e Barão.
3. Gravadoras e grande midia perdem interesse e partem pro Sertanejo, Forró, Hip-hop e Funk carioca.
4. Quem veio depois não tinha potência pra ressuscitar o rock brasileiro. CPM 22, Fresno, NXZero, Tijuana e quetais não chegam nem no nivel.
E nem me falem do metal brasileiro, que só é brasileiro por ser cantado por brasileiros, mas é cantado em inglês e claramente é feito para fora, tipo Angra/Shaman. Mais facil me deparar com o Mapinguari ou a Cobra Grande do que com essa tal criatura mitológica, o "Metal Brasileiro."
Interessante que vivemos uma época muito parecida com a época que originou aquele rock fantastico: Econômia em frangalhos, oposição medrosa, radicais calados em ambos os lados do espéctro politico, governo de fancaria, cidades entregues ao governo da Anarco-Tirânia dos bandidos e drogados, protestos constantes nas ruas das grandes cidades, etc.
E ai, que fim levou o rock brasileiro? Pode ressuscitar ou morreu de vez mesmo?
*Interessante notar isso, porque, posso estar errado, mas o rock brasileiro da época pode ser a primeira expressão cultural da capital do país que ganhou projeção nacional. Brasilia pode ser a capital do país, mas até hoje continua e provavelmente sempre continuará sendo periferia cultural, os centros culturais do Brasil moderno sempre foram Rio e São Paulo e depois Salvador, Recife, Porto Alegre e Belém. Sim, Belém é culturalmente mais importante do que Brasilia, que pra 99% dos brasileiros é só aquela cidade estranha que o Oscar Nyemayer construiu e só aparece quando se fala em política, congresso e protestos na tv.
**Falando nisso, aquele filme do Cazuza falhou muito em retratar o que aconteceu naquela época. Lobão disse que parecia um episódio de Malhação. Alguém ai que viu o filme do Legião que saiu recentemente pode me falar (de preferência LIVRE DE SPOILER, OBRIGADO!) se o filme do Legião (Somos Tão Jovens) é bom?

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